Chapter Text
Lenore foi obrigada a comparecer em um jantar chique de pessoas fúteis e idiotas que só pensam nelas mesmas, isso sempre era um saco para ela, mas infelizmente não havia outra opção. Os jantares aconteciam 2 vezes ao ano, neles ela deveria colocar um vestido e se comportar como uma "dama", ou seja, sorrir, acenar e não mandar ninguém ir se foder, coisas insanas quando se trata de conviver com filhinhos de papai, de qualquer forma era melhor que ficar presa novamente.
Lenore colocou seu vestido vermelho, no qual só deixava seu pescoço, mãos e rosto a mostra, era um dos únicos que gostava, sua mãe a deu antes de... Enfim, ela o colocou e foi arrumar o cabelo, o penteou e pensou no que fazer, tranças, soltar ou um penteado novo, no final escolheu a primeira opção, a garota fez uma maquiagem básica e passou um batom que deixou seus lábios levemente avermelhados, caminhou até o espelho e se observou por alguns instantes.Muitos diziam que Lenore se vestia como uma velha senhora, eles estavam certos de certa forma, quando era obrigada a se vestir formalmente sua preferência era o estilo das mulheres da antiguidade, isso poderia soar um pouco estranho, afinal isso se trata de uma jovem de 19 anos, mas a garota não se importava muito com os comentários alheios, nenhum deles era importante, seu pai gostava desse estilo porque assim ela não chamava muito atenção dos rapazes, isso também era bom, afinal rapazes não faziam o tipo de Lenore.
Após um certo tempo o motorista foi a buscar, ela entrou no carro e se sentou no banco de trás, ao lado de seu pai, ele a olhou de cima a baixo e suspirou.
— Você está linda nesse vestido, trate de agir como alguém que merece o usar.
— Obrigada, pai.
Essas foram as únicas palavras ditas o caminho todo. Assim que chegaram no local o pai da jovem foi conversar com seus parceiros de negócios e ela teve que andar por aí e sorrir, não gostava das garotas de lá, elas não faziam seu estilo, só sabiam falar de homens e de quanto dinheiro tinham, isso era algo tedioso, então geralmente ela só se sentava em algum lugar e sorria enquanto esperava o jantar, felizmente a comida de lá era boa.
Ela se sentou em uma mesa como o de costume e pegou seu livro na bolsa, não poderia mexer no telefone porque seria "falta de interesse", mas um livro tudo bem, a garota não entendia, porém, gostava de ler então é melhor não contestar, estava lendo sobre poemas de um autor qualquer, havia começado a se interessar por poemas após ouvir seus amigos comentarem sobre, é sempre bom dar uma chance para coisas novas.
Os ventos que às vezes
Levam para longe o que amamos
São os mesmos
Que trazem algo mais para ser amado
Nós não podemos chorar pelo
Que nos foi tirado
Nós não iremos...
Nós amaremos o que nos foi dado
Pois, tudo que é realmente nosso, não irá embora.
Rafael Wissmann Monteiro
Às vezes Lenore não concorda com o que lia, mas mesmo assim continuava lendo, não acreditava que tudo que nos pertence não irá embora, afinal a vida é nossa, mas ela irá embora, nós iremos embora, ela suspirou e abaixou seu livro por um segundo, levantou seu rosto e olhou para um ponto fixo, antes que pudesse perceber o ponto que ela estava olhando se moveu, a porta que encarava se abriu, a jovem de olhos azuis olhou para cima e observou quem estava entrando, era uma garota linda com cachos loiros e olhos cor de rosa, seus lábios carnudos e seus cílios loiros, nunca havia visto alguém assim, desejava saber o que ela estava vestindo, antes que pudesse olhar para baixo seus olhares se encontraram, a loira sorriu para Lenore, parece que ela também estava a observando, o rosto da maior corou suavemente ao pensar nisso, ela abaixou a cabeça rapidamente e pegou seu livro, cobrindo seu rosto com ele, engoliu em seco e respirou fundo, seus batimentos estavam acelerados e seu rosto quente, a maior não se sentia assim a um tempo, mas afinal quem era aquela garota? Por que ela é tão bonita? Lenore nunca a viu antes, seria uma novata? Estava curiosa sobre, queria a observar mais um pouco, então juntou coragem para levantar a cabeça e olhar para os lados, infelizmente a loira já havia desaparecido na multidão, a mesma soltou um suspiro frustrado e voltou a ler seu livro, as páginas pareciam palavras sem sentido, não conseguia mais se concentrar no que estava escrito, sua mente se encontrava sedenta para saber quem era aquela e por qual motivo a deixaram entrar em cima da hora? Geralmente os convidados que não chegam na hora são deixados do lado de fora, ela deveria ser muito importante? Provavelmente mais uma garota rica e gostosa, digo , idiota, Lenore foi tirada dos seus pensamentos ao sentir uma mão tocar seu ombro, ela olhou para trás e viu a linda garota que estava em seus pensamentos sorrindo para ela.
— Olá, desculpe atrapalhar sua leitura, mas gostaria de me apresentar para todos, sou Annabel Lee e acabei de chegar na cidade
Ela é ainda mais bonita de perto, a garota usava um vestido longo azul royal tule com um bordado de flores, as alças eram ombro a ombro , então seu pescoço e clavícula estavam evidentes, a peça continha um pequeno decote em forma de V, o que realçava seus seios fartos, a menor segurava uma pequena bolsa em suas mãos, suas unhas eram azuis, da mesma cor do vestido, subindo um pouco o olhar Lenore teve a confirmação de que aquela garota era extremamente rica, usando jóias caras, anéis, colar, pulseira e brincos, fácil notar que tudo que a loira usava era de extrema qualidade. Lenore engoliu em seco e sorriu para ela, tentando soar o mais amigável possível.
— Oi Annabel Lee, meu nome é Lenore, bem-vinda a cidade, é um prazer conhecê-la.
— O prazer é todo meu Lenore, obrigada, é realmente uma bela cidade e um país também, bom agora preciso terminar de cumprimentar os outros, uma pena não poder sentar para conversar, mas espero que possamos dialogar melhor da próxima vez.
— Oh sim, com certeza, você é britânica, certo? Seria ótimo falar com você mais vezes.
As idiotas ricas estavam atrás de Annabel, me encarando com cara de bunda
— É claro que ela é britânica, não notou os trajes e o sotaque, gênio?
A branca azeda abriu a boca para me ofender, nem sequer perdi o meu tempo a respondendo, Annabel a encarou e sorriu cerrando os olhos, deixando claro que não queria mais que a garota falasse.
— Oh sim! Sou britânica, então espero te encontrar em breve, até mais ver Lenore
Aceno com a cabeça e a observando enquanto vai embora, aquela garota realmente era bonita e parecia ter um papo bom, britânica, quando chegar em casa vou pesquisar sobre os britânicos
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Após o jantar os solteiros começaram a chamar as mulheres para dançar, esse era uma das partes que Lenore mais odiava nessas festas chiques, ainda não era assumida e mesmo que fosse não poderia negar uma dança, então existiam duas opções, dançar se alguém a chamasse, sorrir e fingir interesse ou dar um jeito de sair dali e se esconder até a festa acabar, obviamente ela escolheu a segunda opção.
Lenore fingiu ir ao banheiro e fugiu sorrateiramente caminhando pelos corredores, havia uma única sala sem tranca e abandonada o suficiente para ninguém sequer pensar em procurar alguém por lá, poucos sabiam da sua existência e esse era mais um dos motivos para ser seu lugar secreto, a garota só descobriu esse lugar porque achou alguns esboços da obra no escritório do seu pai, sim a festa era realizada em mais um dos seus imóveis "incríveis", esse era mais um dos motivos para ela se esconder assim, afinal dessa forma as chances de se meter em encrenca eram menores.
Assim que ela chegou no corredor pôde ouvir barulhos vindo da sala, não se assustou, pois, imaginou que fosse um rato novamente, a garota caminhou lentamente até a porta e se preparou mentalmente para lutar bravamente contra o seu inimigo mesmo usando um vestido que se fosse danificado sua vida estaria em risco, respirando fundo ela encheu seu pulmão de ar e chutou a porta, pegando a vassoura do lado de dentro da sala e a levantando procurando o rato enquanto o ameaçava com um grito que na cabeça dela esbanjava poder e confiança. Assim que ela olhou para frente seu rosto corou agressivamente, quem estava ali não era um rato, mas sim uma pessoa, uma bela dama na janela a encarando com uma expressão de surpresa e medo em seu rosto, assim que seus olhares se encontraram novamente ambas começaram a rir, essa era Annabel Lee, o que ela estava fazendo ali? Lenore estava tão constrangida que sua risada era uma mistura de pânico, vergonha e homosexualidade.
— Oh céus, você realmente vai me acertar com a vassoura?
A garota disse enquanto limpava uma lágrima que escorreu do seu olho direito, elas riram tanto que a barriga de Lenore começou a doer.
— Não, não, me desculpe, pensei que fosse um rato
Annabel a encara um pouco e pisca algumas vezes enquanto um sorriso se abria em seu rosto, ela colocou a mão sobre a boca e começou a rir
— Um rato? Sério?
Lenore estava cada vez mais constrangida, Annabel respirou fundo e parou de cobrir sua boca, mas mesmo assim ela sorriu para Lenore
— Eu não sou um rato, então se você puder soltar essa vassoura eu agradeceria
— Sim, sim, desculpe!
Ela caminha até a porta e coloca a vassoura de volta onde encontrou, não sabia o que estava acontecendo, mas tinha total certeza de que passou muita vergonha, então decidiu que seria melhor sair dali imediatamente, um plano falho, pois, Annabel chamou sua atenção por um momento
— Você é a Lenore, certo?
— Sim, sim e você é a Annabel, a britânica
— Exatamente, bom eu estava mesmo começando a ficar entediada, gostaria de jogar comigo?
— Jogar com você? O que exatamente?
— Uno, já jogou?
— Claro, esse jogo é universal.
Lenore não conseguia entender o que Annabel estava fazendo ali e por qual motivo aquela janela estava aberta, mas não parecia um bom momento para tocar no assunto, ela estava se desviando dele, aquilo provavelmente não aconteceria de novo então ela apenas aceitou o que estava acontecendo, afinal jogar uma partida com uma garota bonita em seu esconderijo que foi invadido é melhor que ficar lá fora cercada por animais.
— Vamos começar com 7 cartas, você gostaria de ?
— Não, não sei fazer isso
Permanecia confusa sobre a localização das cartas, ela colocou sua mão dentro de sua bolsinha que só por estar com ela era possível dizer valer um rim. De dentro daquele milhão de dólares (da bolsa) ela retirou uma embalagem com cartas de uno que aparentava estar lacrado, a deixou em seu colo e fechou sua bolsa enquanto sorria para mim, engoli em seco e fechei a porta da sala, algo me dizia que aquilo seria um longo jogo. Puxei uma das cadeiras de plástico que eram geralmente encontradas do lado de fora de um bar e a posicionei em frente Annabel, ela estava sentada próxima à janela, na minha cadeira gaymer com detalhes vermelhos que eu trouxe para cá, eu mesma posicionei a cadeira alí, gostava de olhar pela janela e imaginar o que faria se fosse uma daquelas pessoas lá fora, no lado esquerdo da mine sala "secreta", haviam mesas dobráveis, ela estava me olhando atentamente, com certeza era um sinal para que eu arrumasse as coisas, não contestei e apenas peguei a mesa, a posicionando no lugar ideal para começarmos o jogo.
— Pronto, madame
— Obrigada, pet.
Franzi as sobrancelhas e a perguntei curiosa, ela realmente disse o que escutei, "Pet?". Ela apenas sorriu e me entregou as 7 cartas
— Eu começo
Ela pegou a primeira carta do barulho de compra e coloca sobre a mesa, revelando a cor que iniciaria a primeira rodada, a carta era um 8 azul, algo que estranhamente combinava com ela.
Jogamos por cerca de uma hora, o tempo exato para aquele evento catastrófico chegar ao fim, após uma última rodada Annabel se despediu e me deu uma carta, um sete vermelho, não entendi o motivo naquele momento, então apenas agradeci, ela saiu primeiro, esperei alguns minutos e desci logo em seguida, voltamos para o salão. Aquelas garotas a cercaram novamente, então abri meu livro novamente, tudo acabou quando tiraram uma foto idiota para publicar nas redes sociais, uma farsa, todos sorridentes e carinhosos, eles só estão ali por interesse, falsos e corruptos, não ligam para ninguém além de si mesmos, meu pai era um ótimo exemplo disso, felizmente o discurso acabou e meu pai veio até mim sinalizando que deveríamos ir embora, o segui normalmente, estava feliz que tudo acabou, essa era a primeira vez desse evento, março, a próxima seria em novembro, até lá devo me preparar.
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Deitada em sua cama de barriga para cima Lenore se perdeu nos acontecimentos de hoje, a palavra pet não saia da sua cabeça, Annabel Lee não a deixava em paz, aquela carta o que significava? E como ela encontrou o esconderijo? A garota fechou seus olhos cansados e respirou fundo
— Te vejo ano que vem, garota das cartas.
Lenore abriu seus olhos e olhou para a carta vermelha em sua mão com um sorriso, ela se levantou brevemente e a guardou na gaveta da sua cômoda que ficava ao lado de sua cama, ela voltou a se deitar e pensou que seu único arrependimento da noite foi não ter pegado o número dela.
— Meu Deus eu quase a acertei com uma vassoura, ela nunca me passaria seu número
Ela caiu no sono em seguida depois da sua mente repetir diversas vezes os acontecimentos de hoje.
